Wednesday, April 25, 2007

pioneiros da 'Digital Art' II



John Milton Cage


O conceito de ‘found element’ e de instruções numa relação de certo modo alietória é também a base do compositor americano John Cage, cujo trabalho realizado nos anos 50 e 60 é uma marca na história da arte digital. Um trabalho que anticipa numerosas experiências na arte interactiva. Cage descreve a estrutura musical como a sua divisibilidade em partes sucessivas, e frequentemente preenche essas partes estruturais das suas composições com sons pré-existentes, ‘found sounds’.

Cage é especialmente conhecido pela introdução do acaso nas suas obras. Por influência de um amigo começou a usar o ‘I Ching’ (chinês ‘Livro das mudanças’) na composição da sua música, com o intuito de fornecer uma base aos seus usos do acaso. Usou-o por exemplo na composição ‘Music of Changes’ para piano em 1951, para determinar que notas deveriam ser usadas e quando deveriam ser tocadas.

Cage usou também o acaso de outros modos; ‘Imaginary Landscape No. 4’ foi escrita para 12 receptores de rádio. Cada rádio tinha dois músicos, um para controlar a frequência na qual a rádio estava ligada, outro para controlar o volume. Cage escreveu instruções muito precisas na pauta acerca do modo como os músicos deviam ligar os rádios mudá-los ao longo do tempo, mas Cage não podia controlar que som realmente sairia do rádio, e que dependia daquilo que as rádios estivessesm a tocar no lugal e momento exacto da performance.



Esta peça marcou uma passagem de peças meramente compostas por métodos indeterminados, para outras que eram também indeterminadas na performance. Peças como as ‘Variation series’ paradoxalmente colocavam uma grande responsabilidade nas mãos de quem executava a performance pelas exigências da composição em termos de concretização de procedimentos inderterminados, ao acaso. Quando aplicadas às estruturas normalmente concervadoras de uma orquestra, em peças como ‘Concert for Piano and Orchestra’ de 1958 e ‘Atlas Eclipticalis’ de 1961, as exigências de Cage tinham como resultado reacções marcadamente hostis por parte de quem executava a performance.

A natureza das composições alietórias de Cage exige pouco esforço para a sua compreensão. Normalmente Cage começava com a determinação de aspectos mais gerais de uma nova composição, caminhando até à definição de aspectos muito específicos. Para todas estas decisões Cage determinava um número de possibilidades para cada aspecto e depois o usava uma selecção ao acaso para cada possibilidade.


Apesar da importância destas obras no trabalho de Cage e para o seu papel de pioneiro na ‘Digital Art’, a sua obra mais reconhecida é 4’33’’.

Por volta de 1948 Cage visitou na Universidade de Harvard uma sala totalmente isolada de ruído. Quando Cage entrou na sla esperava ouvir silêncio, mas não. Cage ouviu dois sons, um alto e outro baixo. Quando Cage descreveu os sons ao engenheiro responsável pela pela criação daquela sala, ele explicou-lhe que o som alto que ouviu foi o som do seu sistema nervoso e o baixo o do sistema circulatório. Cage tinha ido a um sítio onde esperava não haver qualquer som, e mesmo assim havia som audível. Nesse momento Cage compreendeu a impossibilidade do silêncio, e isto conduziu-o à obra pela qual é mais conhecido, 4’33’’. Sendo que este nome, 4’33’’ é um mistério, havendo várias teorias sobre o seu porquê, mas nenhuma certeza.



Outra inluência para a crianção desta obra é proveniente do campo das artes visuais. Robert Rauschenberg, artista e amigo de Cage, produziu uma série de ‘white paitings’. São aparentemente telas em branco que, na realidade, vão mudando de acordo com as variações da luz na sala onde se encontram e as próprias sombras das pessoas que circulam na sala. Estes quadros inspiraram Cage a usar uma ideia semelhante, usando o ‘silêncio’ como uma tela em branco para reflectir o fluxo dinâmico do som ambiente que envolvem cada performance.

O primeiro de três mviemntos do 4’33’’ foi dado a David Tudor em Agosto de 1959 como parte de um recital de música contemporânea. A audiência viu-o sentar-se ao piano, abrir o piano como preparando-se para tocar e alguns minutos depois voltar a fechar o piano sem ter tocado sequer uma nota. Um pouco depois fez o memso precedimento e voltou a repeti-lo uma terceira vez. A peça passou sem que uma nota tivesse sido tocada e sem que Tudor tivesse produzido qualquer som deliberadamente.



A importância de Cage para a ‘Digital Art’ não se fica pelas suas composições. As aulas de Cge de ‘Experimental Composition’ entre 1957 e 1959 na New School for Social Research tornaram-se lendárias, como uma fonte americana da Fluxus, uma rede interancional de artistas, compositores e desoigners. A maioria dos estudantes não tinha background musical, sendo a grande maioria artistas. Entre os seus alunos encontravam-se Jackson Mac Low, Allan Kaprow, Al Hansen, George Brecht, Alice Denham e Dick Higgins, tal como numerosos artistas convidados por Cage para frequentarem não oficialmente as suas aulas. Várias peças famosas saíram destas aulas: ‘Time Table Music’ de George Brecht e ’48 Seconds’ de Alice Denham.


Concebida em 1952, ‘Theater Piece No.1’ é fruto de uma colaboração de Cage com Mercê Cunnigham, David Tudor, Robert Rauschenberg e Charles Olson em que a performance tomou lugar junto da audiência. ‘Happenings’ foi a designação dada por Cage, eventos teatrais que abandonam o binómio tradicional palco vs audiência, ocorendo sem uma duração definida; em vez disso, estes elementos são deixados ao acaso. De certo modo esta era uma forma de aproximar a arte da vida real.



Mas o trabalho mais ambicioso de Cage foi nos anos 60. Tinha um carácter socialmente utópico, reflectindo o sentimento da época ainda fortemente influenciado pelas ideias de Marshall McLuhan sobre os efeitos dos novos media, e de R. Buckminster Fuller quanto ao poder da tecnologia na promoção de tranformações sociais.



HPSCHD uma trabalho multimédia feito em colaboração com Lejaren Hiller, que incorporava 7 cordas que tocavam excertos escolhidos ao acasode trabalhos de Cage, Hiller e uma conjunto de compositores clássicos consagrados, com 53 cassetes de sons gerados por computador, 6 400 slides de designs a maioria fornecida pela NASA e apresentados por 64 projectores, com 40 filmes com imagens em movimento.



A peça foi incialmente apresentada numa performance de 5 horas na Universidade de Illinois em 1969, na qual a audiência chegava depois da peça ter começado e partia antes dela ter termiando, movendo-se livremente pelo auditório durante o tempo que lá estavam. Tendo assim intrínseco o conceito de interactividade.


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